quinta-feira, 16 de agosto de 2007

ah, agosto.

agosto me tira o gosto das coisas. o gosto do fazer mais desaparece. as entradas do meu rosto e os meus cabelos brancos aparecem. quatro meses ainda me restam. poucos dias e muito o que fazer. muito o que não fiz. não farei e nem serei. em agosto, soltam-se os cachorros loucos. os errados são tão errados e a certeza do incerto é mais do que certa. ao meu gosto, sobra pouco e falta muito. o gosto do beijo não tem mais gosto de amor. são beijos usados, gastos, sem gosto. e não falta pimenta, nem sal á gosto. o gostoso se faz batido, passado e sem sal. agosto me tráz a tona tanta miséria escondida debaixo dos meus travesseiros. agosto naturalista. agosto leonino. contrário ao gosto aquariano. faço-me certa de que depois de agosto, depois desse mal gosto, os nós desatam e me sinto tranquila. se bem me lembro, disse que não ia passar agosto esperando setembro. ah, agosto. acho que gosto. há gosto de gosto com pouco gosto, mas é um gasto gostoso, ao meu gosto é quase um gozo de mal ou bom gosto. sendo eu, a discrepância - coisa que por sinal, sei fazer com gosto - de agosto, degusto agosto com gosto e sirvo-me á gosto.

2 comentários:

m disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
m disse...
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