"querido antônio,
escrevo com certo atraso, admito, mas antes tarde do que nunca. na verdade, acho esse tal de escrever cartas á sua pessoa, uma coisa meio supérfula. sempre dispensamos (ou evitamos, vai saber) esse tipo de contato mais meloso. acho assim, desnecessário. acontece que o fato de eu não poder decodificar o que pensas só com o cruzar do teu olhar com o meu e a falta daquela sintonia especial que tínhamos acabam por me deixar meio embirutada a ponto de escrever uma epístola como esta. até parece depoimento de orkut. consequências da distância. acontece, ora pois, meu caro amigo, que não esta carta não contém revelação ou novidade alguma. isso mesmo. adoro essa falta de forma e de conteúdo. tão moderninho! só resolvi aparecer pra declarar que sinto uma falta gigante das nossas supimpadas, teorias e transtornos psicossomáticos em comum. e também pra reforçar que te tenho pra mim como uma das pessoas mais importantes da minha vida.
até hoje acho que nos conhecermos foi obra do divino ou do azar ou da uruca alheia ou da sorte ou de quem quer se seja. acaso não pode ter sido. certeza. sim, porque seria pedir demais das coincidências (acho essa palavra tão feia) encontrar outro assim tão parecido comigo. ansioso por conhecimento. sem medo de ser (ou não). frio, calculista, científico. distante mas que sente com todo coração que lhe cabe. literário. gregory house. dorival(lol). britney spears. cake. muitas face de você que não conheço, não me lembro e prefiro nem exteriorizar.
o mais improvável de tudo, talvez sejam as nossas piadas que niguém mais achava graça. como as teorias dos lápis perdidos e do terremoto no ceará. te dou um dado. as aulas que perdíamos só analisando os professores. e como ríamos ao observar o comportamento dos colegas da sala. te juro que nunca um riso meu foi tão perigoso como o daquela reação pós-cida-não-é-psicóloga("é pscicóloga sim! aqui dentro corre saaaaaaaangueeee!!"). foram tantos que nem me lembro. se você se lembrar de mais alguns, por favor escreva.
mas acho que o que quero mesmo dizer aqui é: eu te sou muito grata. porque você, de todas as pessoas, viu a face mais verdadeira de mim. viu tanto que previu o perigo que eu enfrentaria naquele ano. você me chamou no msn e me alertou: "eu não vejo esse brilho nos seus olhos". me enxergou antes e melhor do que qualquer pessoa. muito obrigada. obrigada não só por isso, mas também por ter me ouvido, por ter me ajudado nos períodos início/meio/fim de namoro, por ter me deixado te conhecer, por ter me dado tantos momentos assim... dignos! não exijo e nem espero que você diga o mesmo, mas obrigado ser o meu melhor amigo. cara, honestamente, amo muito você.
pronto, cheguei num ponto meloso demais para minha escrita. ultrapassei todos os limites do meu bom-senso literário. nem ligo. como você mesmo disse, "deus me livre ser poeta". espero que você se cuide e que desencane dessa história de o pessoal da ciências da computação te odiar. amics, tudo invejinha desse povinho mais ou menos. mas aproveite para mandar um abraço ao zé das codornas por mim - sabe quem é o zé das codornas, não sabe?! e também peço notícias do seu novo celular intergalático com televisão e teletransporte. resumindo, não suma. mande sinais de vida quando não tiver mais nada de útil para fazer.
no mais, me despeço.
com todo o carinho e toda a saudade do mundo.
leandra valentte."
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