sábado, 16 de maio de 2009

sem pensar no que escrevo. (prefixo-mente)

um adendo: um trecho já havia sido postado anteriormente - muito anteriormente - com o título de "se acaso alguém estiver a ler". este é o texto completo.

escreve teus versos sem pensar no que escreve e como se ninguém estivesse lendo, mas sabendo que, no teu íntimo, implora para que alguém esteja a ler tuas lamúrias, injúrias e outra palavra que não sei qual encaixar para dar o teor literário que desejo a este perído extremamente longo. não te julgues. todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser e eu reclamo pelo direito da gente colocarmos plural aonde a gente quisermos. vão se foderem! agora eu procuro desesperadamente algo que eu possa escrever, dissertar, discorrer, epopeízar, criticar, comentar, ironizar, sarcastizar, neologizar, mandar a puta que pariu, fingir que entendi e fingir mais ainda que não vou comentar a fundo porque sou cult demais para me dar esse trabalho. adoro internet. e já no começo deste texto medíocre, já venho apelar para o discurso metalingüístico, já que você, caro leitor, já deve estar imaginando que esta breve tese de uma zé-ninguém não tem absolutamente nada de construtivo para te informar. sabe deus. quem sou eu pra discordar?! oxe, me "deche". olha. dói. sério, dói mesmo. não sei do que, não sei da onde, só sei que dói. mas o pior não é doer. o pior de tudo é se acostumar com a dor. se acomodar com o que incomoda, á la anitelli. e ao invés de exorcizar os meus fantasmas, ah... só de escrever isso já me dá vontade de chorar. nem quero mais continuar porque agora eu sinto vergonha de escrever esse monte de nada e agora sim, eu tenho CERTEZA de que ninguém vai ler até aqui. mas se ninguém vai ler então, que se dane, continuo meu discurso. ora, mas vendo por outro lado, por que escrever se ninguém vai ler? quantas Clarices guardaram tantos corações nas gavetas e quantos sentimentos já deixaram de ser ditos? quantas ruas a palavra poderia ter construído? a ponte sempre esteve aqui, palpável, concreta e de-faz-de-conta. mas pense bem, os poemas mais bonitos que você já escreveu foram aqueles junto á janela de um ônibus, junto á um chão de asfalto, e quando finalmente atingiu a caneta... foi-se! os seus poemas mais bonitos são os que você sequer lembra. e os que seriam mais marcantes foram aqueles que você não teve coragem de explorar. justo aqueles que você deixou pela metade, rasgou a folha, fez bolinha e fez cesta espetacular de três pontos. ah se a gente soubesse aonde a nossa voz iria alcançar, talvez a gente não tivesse que gritar tão alto. eu queria ter conservado mais a minha fantasia de infância. se eu me lembrasse das histórias que eu inventava, não me faltaria inspiração. e se eu não tivesse suprimido os meus impulsos imaginários só para não parecer tão esquisita aos olhos dos outros, com certeza eu seria milhares de vezes maior do que eu já sou. apesar de medir pouco mais de um metro e meio e os meus sentimentos, sinceramente, honestamente, verdadeiramente, não chegam a pesar mais do que um quilo e meio. três lágrimas e oitocentas gramas. um riso e uns quebrados. um amor tão sem grandeza quem não há quilo, grama ou tonelada que meça. ou mida. viro ouro. tenho sono. vou dormir. e acho que o este final ficou infitamente melhor do que um outro final infinitamente elaborado, calculado e previsível para dar um impaco infinitamente maior do quem um final feliz qualquer. exatamente como este que acabei de escrever. boa noite.

Um comentário:

yumi horimoto disse...

eu li até o final. lol
achei um erro! será um erro? "infitamente" ?? acho que é um erro! hahaha. ahh já que ninguém leu o post, ngm vai ler o coment tbm. nem você. acho. quanta achisse. achisse existe? amiga, você sabe que eu absolutely adouro o que você escreve. enfim, saudades.