sábado, 16 de abril de 2011

tempo seco.

olhei distraída pela janela e vi estrelas, pela primeira vez em três meses.
aqui elas são tímidas e assustadas, como todas as pessoas que vivem por perto.
falta-lhes o suor e a grosseria, a má educação salutar do outro pedaço de céu um estado acima do meu.
larguei-me à falta de pudor daquela sacada, ao longo dos oito ultimos anos;
ar. umidade. cheiro de noite.
lembrei de tudo aquilo que me faz falta.
saudade deixa de doer depois de um tempo. na verdade, não deixa.
a gente é que se acostuma com o que incomoda.

lá, as minhas estrelas não tinham vergonha de mim.

Nenhum comentário: