terça-feira, 13 de março de 2012

assunto inacabado.

ainda tou no aguardo daquele dia em que direi "não, não sinto mais saudades" e "foi bacana, mas passou". pra ser muito sincera, dói te deixar pra trás. porque você é meu assunto inacabado. você foi a minha viagem pela metade. meu trabalho por fazer. uma fala mestra interrompida na frente da platéia. não houve desfecho. acho que seria menos dolorido se tivéssemos ao menos um parágrafo inteiro para colocar um ponto final. não fomos parágrafos. fomos frases. com até pouca ou nenhuma coesão. fomos alguns haicais, no máximo (o que, na verdade, não é lá pouco mérito). parece que não tivemos um começo-meio-fim. tese-antítese-síntese, que dialética mais medíocre nós fomos. poderíamos, com certeza, ter feito isso melhor. aliás, não, não poderíamos. você estava em outra e eu estava sem nada. sem chão, sem argumentos, sem tempo, sem chance, sem nada para te oferecer. o que era eu, afinal, para você? nada. só mais uma na sua lista de 900 e poucos contatos no facebook. ou aquela companhia para quando faltava gente melhor pro seu programinha. já cheguei a pensar se você tem alguma recordação bacana de mim, mas vendo melhor, agora não importa. é até melhor. não preciso de mais uma coisa para me relacionar a você. o que me foi dado não bastou, mas me afetou. e quase um ano depois, acho que já me afetou o suficiente. não me arrependo. o que eu senti foi bonito e foi primeiro. esse pedaço de sentimento vai ser para sempre uma das melhores partes de mim. claro que termos sido mais plano do que ação contribui pra deixar esse pedaço quase imaculado e não, não me orgulho disso. já disse que preferia uma história mais concreta. "a cinza é mais digna que a matéria intacta". percebi que até esse indecisão entre o "fora da caverna" e o "dentro da caverna" do nosso casinho é uma das causas da minha eterna confusão. não sei se vou achar solução (quantos ãos) para isso. talvez não agora. vai vir quando vier. não tá sendo nada fácil deixar você ir (perceba que estou voltando pra mesma ideia inicial do texto, sou tão cíclica que me assusto). enfim, foi um crescimento e no final, até te agradeço (embora você tenha sido bem fdp de vez enquando). você me proporcionou a primeira paixão e hoje é legal finalmente entender as letras de pagode. depois de você, apesar dos pesares (e das tequilas pra te evanescer de mim), sou uma pessoa mais completa. é a prova de que sou feita mesmo de carne, osso e coração. hoje sei dar mais valor aos meus instintos. e aprendi que me conectar emocionalmente com tudo o que faço é um tanto melhor do que minha postura analítica de sempre. hoje sou mais gente e, por isso, mais animal. o amor nos leva à um estado extremamente primitivo do sentir e agir. eu bem sei. quase um ano depois do nosso começo, eu posso finalmente, te permitir terminar. esse texto todo não tem a mínima intenção de ser impactante nem nada. é uma das coisas mais pífias que já escrevi, se quer mesmo saber. mas é um passo para a minha cura. posso doer, posso até relutar pra te superar, me agarrar e me apegar. mais vai ser melhor depois. não quero que a vida me faça amarga. e afinal de contas, eu sempre fui partidária do desapego. então, eu te deixo ir. te levo até a porta, te dou um beijo na bochecha e um abraço. te agradeço. te desejo tudo de bom. até desejo que nos vejamos em breve, quando der. mas por hora tenho mais o que fazer, e sei que você também tem (você sempre tem, na verdade). no final das contas, sinto um pouco mais perto o dia em que direi "não, não sinto mais saudades" e "foi bacana, mas passou".

foi bacana.
mas vai passar.

5 comentários:

marie disse...

esse texto já foi minha vida, afinal, quem nunca?

Anônimo disse...

que lindo.

Anônimo disse...

por que tem de ser tão complicado? e eu aqui com sentimentos muito parecidos... imaginando o que podia ter sido...

Rotsen disse...

vou sentir saudades.
sucesso pra gente, amiga.

um beijo.

lindo texto, btw

Fernanda disse...

De fato, quem nunca?