terça-feira, 18 de setembro de 2007

eu: menina.

e hoje eu me canso de mim mesma de novo. desgarro minha boa conduta e desmoralizo todos os bons conselhos que me ensinaram. todas essas roupas me agoniam, e certos sujeitos parecem querer testar a minha santa paciência. leva esses livros daqui, estão me irritando! deixo meus diários rasgados jogados á um canto. meus cds espalhados na cama, refletindo o sol da janela. meu phone está quebrado, meu som sem bateria. as palavras de desespero perdidas, nem sequer as encontro. quero gritá-las. aliás, não...quero escondê-las...pare! não me veja assim, assim nua, assim crua, assim verdade, assim cruel. apague a droga dessa luz e me deixe no escuro de novo. meu deus, o que será isso? será ódio? uma vontade imensa de agarrar tudo o que é belo e atirar no chão, pisar nos cacos, depois juntar tudo e jogar pela janela? e depois consertar, e depois quebrar, e depois se desculpar, e depois matar, e depois morrer e depois rir! sim! rir dessa minha caramunha, dessa minha eterna inocência, dessa minha impertinente indolência. então, eles vem chegando, de mansinho, sem que ninguém perceba. são eles, os meus atrevidos. já sinto o prazer e a dor sob a minha pele, as sensações opostas que caminham lado a lado. eu ouço a culpa, uma formiga bem chata na minha orelha, que de repente cresce e se transforma num elefante. a paixão, coitada, até agora não me encontrou, tá vagando por aí à procura do meu coração gelado. a ira, háh, ela tomou minhas mãos e me levou a fazer as coisas mas absurdas que eu nem pensava ser capaz. ah, e a ambição habita os meus olhos, e fica me mostrando as coisas grandiosas que eu vejo, e vez ou outra, ela sussurra "possua isso, possua aquilo".ah, santo deus, calem-se! chega dessas prosopopéias ridículas, façam silêncio. me estiro em um pedaço de chão, tento esquecer de mim. eu já tinha suspirado, cantado a mesma música milhões de vezes, duvidado das suas afirmações e achado graça das piadas infames que um dia te contaram. agora, eu quero respirar, de novo, como antes. eu quero recobrar os sentidos, ter de volta o meu tato, olfato, visão, audição e paladar. livrar-me dessa anestesia. sentir! a inexplicável sensação de existir. me emocionar, rir de novo, chorar um pouco, quem sabe dormir, gritar um grito rouco. fugir desse mundo louco de saberes fragmentados, onde sou incapaz de reconhecer meu próprio inimigo. eu fecho os olhos e me deixo levar pela maré de pensamentos. finalmente, a tão sonhada harmonia. porque no meu mar de palavras e inexistências, eu ainda sinto o cheiro das ondas molhadas de sol, me levando à uma praia coberta de sonhos de areia, onde eu posso me deitar e ser simples, assim sucinta. eu: menina.

PS: esse texto eu escrevi já faz mais de um ano. e ainda considero um dos melhores que já consegui escrever.
PSS: este foi o post número 20. :D

2 comentários:

Ana Beatriz disse...

Nossa,liiiiindo³³ o texto *-*
Cara,se eu escrevesse igual a vc eu tava feliz da vida :B
Texto perfeito mesmo³³,acho qe traduz o qe a maioria das pessoas sentem,não? SHAUSHUHAUSHUAU

Parabéns!:)³
e parabéns pelo 20º post tb :P'
;**

yumi disse...

sera que eu fui a primeira a ler esse texto um ano atras?
voce eh... voce. inexplicavel.
saudades enormes.
te amo.