domingo, 2 de dezembro de 2012

across the universe. [inacabado]

abriga em mim uma tristeza que me acompanha desde que nasci. corre pelos anos sem me abandonar. silencia e desilencia pulsando num compasso mais antigo que a própria vida. porém, tal como analgésico anestésico anfetamínico vira e mexe se aquieta. cuspo-a fora num rabisco, numa corda, num papel, qualquer coisa que ajude a dizer o que se afasta dizendo-se indizível. a dor se apaga num esboço de expressão. ela se transmuta em matéria matéria-prima para a minha escultura. invento-a em cores novas ainda sem nome e em um desenho que jamais será capaz de transportar-se pela minha mão e tornar-se verdade. quisera eu que fosse verdade. o mundo oscila entre a psicodelia e o preto-e-branco por dentro dos meus olhos, foge o tempo de explicar. confunde-me. se fosse possível cortar meu tórax de fora a fora, veria-se exposição sem precedentes. porque se só por projeto de arte (arte?) a tristeza-dor se apaga, eis o mistério da fé único meio de sobrevivência que conheço. faço-me obra-prima. abriga em mim uma criação que me acompanha desde que nasci. corro pelos anos sem abandoná-la. reavivo-a, desfibrilo-a. a vida torna-se um quadro sempre a ser pintado. é essa necessidade vital de transformação que me enlouquece e preserva minha sanidade. na dor morro e da dor me curo. minha existência se resume a destruir e a criar a tristeza que me persegue. não somente para expulsá-la (ela jamais se vai) mas também para abraçá-la. há sempre um significado maior em tudo o que nos dói. abriga em mim uma guerra que me acompanha desde que nasci. como uma revolução que a cada segundo explode em meu peito. sangro uma beleza que vejo e não explico. o mundo escorre através das minhas veias num colapso breve. aglomera-se todo o sentimento numa bolinha muito quente e densa. que rebenta. como um big bang. através do universo dentro de mim.

3 comentários:

jhones passagem disse...

"E a tristeza parece poesia", isso é tão estranho, meio que ambivalente, não é verdade?! Tenho costume de ambientar esses sentimentos, são loucuras minhas. Às vezes é como se esse sentimento fosse necessário, ou talvez, pelo longo tempo que já se encontra em nós é difícil de tirá-lo completamente e se torna algo necessário. Aí fugimos dele, distribuímos aquela dose diária em alguma coisa ( poema, tocar, chorar, desenhar, sei lá) que a partir daquele momento se torna nós mesmos."É o mundo que anda hostil. O mundo todo é hostil" isso é doloroso.


Acalento

Tento me despir do tecido que me cobre
Do lençol que me acolhe,
Pois neles sinto frio.
Tento tocar na canção que me toca
Ser recíproco na solidão,
Mas é um constante não saber
Uma vontade de querer ser e não ser
Mas enquanto a hora corre
E o tempo morre
Eu fico aqui sentindo um pouco de mim
Tocando em cada pedaço frio de minha matéria
Querendo a paz entre toda essa guerra
Querendo o calor enquanto o frio se expõe
E se impõe em mim

Anônimo disse...

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