sexta-feira, 11 de abril de 2014

praça pública.

eu direi que vivi no tempo da segregação e das gavetas. quando a cor era perigo e a diferença era mortal. direi que meu coração morria todos os dias com tanta cegueira e ódio. mas que, teimoso, também todos os dias sarava com a boca de quem sabia gritar rebeldia. saravá. direi que minha força para a luta diária se alimentava da liberdade. e regozijava toda vez que alguém gritava amor na praça. eu direi que vivi no tempo da mudança. que plantei flores nas divisas e dancei com babydoll de nylon. direi que aprendi a por a mão no barro e pintar com frida belos quadros coloridos sobre os rótulos. ah, porque eu subi bahia e desci floresta, subi o morro e desci com a erva. porque a gay dessa cidade sou eu. eu sou a praça embandeirada que, como uma deusa, me mantém. e essa gente ainda haverá de ver que seremos parte de um baile no coreto da liberdade, choverá catuaba, água de bunda com inhame e beterraba, faremos da vida a transa dos povos celebrando canções que ainda dizem: o meu povo grita amor na praça.

meu amor, veja mais: a praça testemunhou que esse amor e essa liberdade já são parte dos dias mais belos da nossa arte.

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