serafina leu mais de quatrocentos e oitenta e cinco milhões de livros ao longo de sua vida. tinha um distúrbio neurológico que não permitia que ela esquecesse absolutamente nada do que havia lido ou vivido. reclusa e quieta, detentora de conhecimentos mil, pouco chegou a exteriorizar do que tinha aprendido e nunca esquecido.
perto da morte, pediu papel e caneta e, num desespero corajoso de lapso de lucidez, escreveu:
"a cada talho, eu só espero que a fibrose um dia não me impeça de pulsar"
morreu de cardiomiopatia hipertrófica, até o último segundo consciente de sua única esperança.
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